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Se nunca morou no mato Nada sabe de Sertão.

(Depois de ler o poema CANTE LÁ QUE EU CANTO CÁ, de Patativa do Assaré).

Meu poeta praciano
Que se atreve a descrever
O mundo interiorano
Pense antes de escrever
Seus versos ornamentados
São geralmente enxertados
Nos galhos da erudição
Ouça um conselho sensato:
Se nunca morou no mato
Nada sabe de Sertão.

Se nunca viu um garrote
Quebrar um canzil de canga
Nem levou um cocorote
Por subir num pé de manga.
Se nunca limpou barreiro
No início de janeiro
Ouvindo longe um trovão.
Suspenda a pena, novato!
Se nunca morou no mato
Nada sabe de Sertão.

Se nunca dançou forró
Ao som duma concertina,
Nunca raspou mororó
Pra bucha de lazarina,
Sua sensibilidade
Não vai nos mostrar verdade,
Será falsa a narração,
Deixe que eu descreva o fato!
Se nunca morou no mato
Nada sabe de Sertão.

Autor: Wellington Vicente.
Porto Velho, 06/09/2008.

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