quinta-feira , fevereiro 23 2017
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ONGs do DF fazem ação de doação de livros infantis para incentivar a leitura

Brasília – Letícia tem 6 anos e não gosta de ler. O motivo é simples: "tenho preguiça". Ela não está sozinha. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada no ano passado pelo Instituto Pró-Livro, os brasileiros leem em média quatro livros por ano, sendo que menos da metade é lido na íntegra. A fim de incentivar a leitura, celebra-se hoje (14) o Dia Internacional da Doação de Livros.

A intenção da data é fazer com que os livros cheguem ao maior número de crianças possível, seja por doação, seja simplesmente deixando uma publicação infantil em um espaço público para ser achada por alguém. A iniciativa internacional reuniu 12 países no ano passado: Austrália, Canadá, África do Sul, França, Índia, Irlanda, Japão, Filipinas, Espanha, Turquia, Estados Unidos e Reino Unido. 

Este ano, no Distrito Federal, inspirada pelo movimento internacional, o Uni duni Ler – Clube dos Bebês Leitores , o Cuca de Gente Miúda e a Feira de Troca de Brinquedos fizeram uma peregrinação por Brasília, deixando livros e contando histórias às crianças.

A fábula A Cigarra e a Formiga, atribuída a Esopo e reescrita por vários autores infantis, foi encenada pela pedagoga Silvana Kronemberger, do Cuca, com a ajuda de óculos coloridos, enfeites no cabelo e um violão de brinquedo. Foi assim que a pequena Letícia foi convencida a ler o livro que ganhou durante a apresentação. "Esse vou ler”, garantiu.

A escritora Alessandra Roscoe, do Uni duni Ler, explica que muitas vezes a leitura do livro é encarado como um castigo, porque é ensinado assim pelos pais. "Quando a criança fica de castigo não pode ver TV, não pode jogar videogame, mas pode ler. Isso começa a ser encarado como algo negativo". A pesquisa do Instituto Pró-Livro comprova o que diz a escritora: apenas 18% dos brasileiros têm a leitura como uma atividade prazerosa. Entre crianças de 5 a 10 anos, o índice de leitura é baixo: 14% leram pelo menos um livro integral ou parcialmente nos últimos 3 meses.

Alessandra trouxe de casa 65 livros para deixar pela cidade. Muitos são queridos pela escritora. "Alguns me deram um aperto de trazer. Mas acho que a história não sai de mim e se me fez bem, tem que ser compartilhada".

Para que as histórias dos achados não se percam, o grupo criou uma página no Facebook, onde todos que têm uma conta podem pôr fotos e contar as experiências de deixar ou encontrar um livro infantil.

A iniciativa pode ser adotada por qualquer um. Basta escolher um livro da prateleira e deixar em algum lugar. "É importante também escrever uma dedicatória: ‘esse livro não foi perdido, leia e passe para frente’", diz Raquel Fuzara, da Feira de Troca de Brinquedos.

Agência Brasil

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