sábado , dezembro 10 2016
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As redes sociais e o chifre comentado e compartilhado

Não pensem que eu, como desocupado que sou, gosto muito do Facebook. É muito mi-mi-mi, hehehe, frases de filosofia barata, lindo pra aqui, linda pra acolá, autoajuda em profusão, além de muita matéria falsificada, atribuindo-se a alguém famoso frases que nunca escreveu ou pronunciou. Que droga, não? Só gosto mesmo é do kkkk. Antes a minha expressão para riso era rá-rá-rá-rá. Dava até trabalho para escrever. O kkkk simplificou tudo.

Mas se não fossem as redes sociais como é que eu iria ver Caetano Veloso de meia e cueca, ao lado de Carla Perez e o marido, fotografado por Paula Lavigne? Ele me deu a certeza de que todo velho de cueca é igual: dois ovos decaídos abaixo de uma cobra semimorta!

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Caetano Veloso, Carla Perez e Xanddy.

Teve o caso da atleta de saltos ornamentais Ingrid Oliveira, medalhista deste Pan 2015, que antes das provas fez uma selfie e divulgou no Instagram. Houve uma verdadeira chuva de comentários machistas e maldosos que perturbaram tanto a cabeça da moça que até a fizeram errar no início das provas. Arrependida, disse que jamais postará na rede uma foto que contenha sua bunda formidável. O qualificativo fica por minha conta.

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Ingrid Oliveira é do salto ornamental medalhista no Pan 2015

É por essas e outras que estou com vontade de largar o Facebook e entrar pro Faceglória. Lá serei um estranho no ninho porque todos não cometem pecados, já se julgam salvos e, quando morrerem, vão pro céu. Sinceramente, tenho inveja de quem louva a Deus o tempo todo. O problema é que Deus deixou no mundo uns pecadinhos danados de gostosinhos de se cometer. Não pensem que é ilusão, pois a rede foi criada especialmente para os evangélicos. Olhem aqui o endereço:

http://www.facegloria.com/index.php?r=user/auth/login

Você que me lê neste momento, nem pense em colocar lá aquele áudio em que o jornalista Ricardo Boechat disse ao pastor Silas Malafaia que ele fosse procurar uma rola. Como no Faceglória não existe a opção “curtir”, mas a palavra “amém”, nenhum amém ganhará sua postagem. Além disso, você correrá o risco de ser expulso e pode chorar o resto da vida porque ficará sem a única rede social santa. Sobre Malafaia não é preciso dizer mais nada, basta olhar um curto vídeo que tem logo abaixo que o mostra se jogando na plateia, ao que parece, querendo levar dedada! kkkk

Sinceramente, sinto saudade do tempo em que trabalhava e escutava o que dizia o povo nos restaurantes de beira de estrada, aqueles chamados de “mosqueiros” porque as moscas vadiavam pelas mesas como se fossem putas nos cabarés à procura de clientes. Mas isso era quando eu não pertencia à associação de vadios e aposentados.

Certa vez, numa pequena cidade do sertão, estava almoçando num daqueles restaurantes típicos, quando ouvi os ocupantes de uma mesa ao lado falarem de um homem muito conhecido na cidade que levava chifre até umas horas da mulher com quem era casado. Que a distinta dama já tinha recebido até um apelido: “bisaco de caçador”. Eu nunca tinha ouvido um apelido mais maldoso do que aquele, mas esse povo do sertão não brinca em serviço!

Saindo dali, eu disse com meus botões: isso dá uma poesia bastante sensual. Era dirigindo o carro, pensando nas rimas e no que eles haviam conversado: que toda a cidade já sabia dos enfeites na cabeça daquele coitado que vendia gás de cozinha para ganhar o pão de cada dia. Depois, foi só pegar a caneta e registrar no papel esses versinhos inocentes:

Coitado de Zé do Gás
Que vem sendo corneado
Todo mundo sabe disso
Coveiro, padre e soldado
Se houver eleição pra corno
Zé será o mais votado

A santa da mulher dele
Que lhe fez juras de amor
Ganhou o apelido de
“Bisaco de caçador”
Pois acolhe os passarinhos
Deste sertão sofredor:

Rola preta, rola branca
Rola grande ou pequena
A mulher gosta de rola
Que só a gota serena
Todo mundo bota a rola
No bisaco da morena!

Se eu pusesse os versos acima no Faceglória, os fanáticos religiosos iriam dizer: pra ser assim de um nível tão baixo, vamos expulsá-lo daqui, irmãos, que isso deve ser parente do Satanás. kkkk

Felizes são esses bons cristãos que só fazem louvores na sua rede e assim não conhecem parte da fina flor endinheirada da sociedade recifense. Não leram nada daquela roupa suja lavada em outras redes sociais há duas semanas. Hoje é assim: no meio dos granfinos ou do dito “povo baixo”, até um chifre tem que ser curtido, comentado e compartilhado. Mas vamos aos fatos.

Uma colunável e bem sucedida empresária do ramo de eventos, no Recife, foi alvo de ataques de cunho machistas e difamatórios pelas “redes sociais” promovidos por um corno vingativo. Depois de a bela dama anunciar sua separação do famoso ex-marqueteiro de FHC (que é também banqueiro e cientista político), por se envolver com a esposa do agressor, a socialite começou a ser atacada pelo chifrudo espalhafatoso com palavras altamente edificantes como “vaca” e “prostituta”. O corneado já havia sido assessor do urso pé de lã e ultimamente ocupava a gerência geral do seu banco. Foi o responsável financeiro pela campanha de Aécio em Pernambuco em 2014. Um cabra que aparece nas matérias dos cronistas sociais, no entanto usou um linguajar digno da saudosa Dercy Gonçalves, na rede social, dizendo que “ela (a mulher do patrão) deu pra todo mundo na cidade”. Mas isso é café pequeno diante de outra afirmação (também pelas redes sociais) para outra amiga dele, uma publicitária colunável, esculhambando de vez a imagem da empresária acusada de traição: “Se eu for colocar aqui a lista de machos que já comeu essa vagabunda vai dar para emendar a BR 232 de pica”. É claro que a grande mídia não iria repercutir a acusação de um corneado que se vinga xingando a esposa do traidor. Parece-me que seu consolo é este: se sou corno, o traidor também é. Essa lavagem pública de roupa suja não tem nada a ver com o verdadeiro high society do Recife que é discreto, elegante nas palavras e abafador de escândalos. Isso só vem provar que empresários devem selecionar melhor seus assessores, principalmente se tiverem a intenção de “traçar” suas mulheres. Fico aqui imaginando esse corno da boca suja de manhã, ao acordar, e indo lavar o rosto. Acho que deve perguntar ao espelho do banheiro o seguinte: espelho meu, espelho meu, há no mundo alguém mais corno que eu? kkkk

A vítima das agressões viveu sete anos com o famoso marqueteiro até este ser acusado de “devorar” a mulher do assessor e testa de ferro dele em alguns empreendimentos. Sentindo-se ofendida, a esposa do urso pediu separação, é claro. O corno brabo falou que isso foi uma armação para ela tirar grana do ex-marido. O marqueteiro é riquíssimo e tem três empresas além de ser sócio em outras. Foi ele quem deu a firma de eventos para sua então mulher. Ajudado pelo charme do casal chique, famoso e badalado nas colunas sociais, a empresa de eventos mantinha negócios de vulto com o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife. A dupla também era conhecida pelas festas que dava regadas à alta bebedeira na cobertura do seu edifício e pela tradicional comilança no domingo de carnaval, tudo na bela Avenida Boa Viagem, local frequentado por políticos em evidência e empresários de alto coturno desta cidade cruel, cujo vil prefeito, associado a empreiteiros da construção civil, quer colocar abaixo o Cais José Estelita com todos seus armazéns e erguer lá uma porrada de torres. E ainda chamam isso de “novo Recife”. Ah, ia me esquecendo: o poderoso assessor chifrado, assim como o comilão (e ao mesmo tempo suposto corno), estão envolvidos numa operação da PF chamada “Mar de Lama” e de repente, coitados, se viram no meio de um mar de chifres. Será que sabem nadar pelo menos?

Acho que a divulgação dessa vergonha é efeito da crise econômica. Quando representantes da turma que nada em dinheiro não se entende nem em questão de chifre, é bom os pequenos ir botando o traseiro de molho. Sempre sobra pra nós o custo de tudo, desde a traição, a contratação de putas de luxo, chegando até a corrupção. Todavia, nóis sofre, mas nóis goza: do chifrudo, da difamada, do bisaco das rolinhas e até do pau dos traídos. E por hoje basta de deboche, tanto do povo que está por baixo quanto da elite que fica sempre por cima.

Encerrando tudo, coloco aqui para adornar esta postagem a música “Cara de Tuta”, de Durval Vieira e Clemilda, com a saudosa forrozeira alagoana em cuja letra se vê: “você pode até não ser, mas tem a cara de Tuta”. Boa audição, pois nada resta a fazer senão rir desse rasteiro caso de humor de chifre cruzado. Ironizando, cito a frase do guru dos chiques e colunáveis, o falecido Ibrahim Sued: “em sociedade tudo se sabe”. E não é que é verdade mesmo? kkkk

Por Abílio Neto

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