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Prece ao Vento nunca foi de Dorival Caymmi

Por Abílio Neto

Pernambuco é uma terra famosa por esquecer seus talentos artísticos, tanto os filhos naturais quanto os adotados. Foi assim com José Prates, Zé Gonzaga, Lourival Oliveira, Felinho, Jacinto Silva, Levino Ferreira, Dimas Sedícias, Gilvan Chaves e outros. Vou falar um pouco deste último citado.

Gilvan Chaves compositor pernambucano
Gilvan Chaves compositor pernambucano

Gilvan de Assis Chaves, conhecido artisticamente como Gilvan Chaves, nasceu em Olinda/PE a 20/09/1919. Sua primeira apresentação como cantor foi no colégio Pio X também em Olinda. Aos 17 anos compôs sua primeira música chamada “Tiro Errado” que nunca chegou a gravar. Aos 25 anos ingressou na Rádio Clube de Pernambuco a convite do maestro Nelson Ferreira para tocar violão e cantar toadas e cantigas regionais, local onde conheceu gente como Luiz Bandeira, Sivuca, Paulo Molin e José Tobias. Nos anos seguintes atuou como vocalista nos conjuntos Ases do Ritmo, Os Boêmios e Grupo Paraguassu. Como cantor teve o prazer de inaugurar a Rádio Jornal do Commercio, em 1949 e a Rádio Tamandaré, em 1951.

Em 1952, já famoso, seguiu para o Rio de Janeiro onde atuou como intérprete de suas composições e de outros compositores, também se destacando como um ótimo contador de “causos”. Com a fama conquistada no Rio de Janeiro, foi para São Paulo a convite para se apresentar em rádios, TVs, clubes e boates, já sendo considerado um legítimo representante do rico folclore nordestino como cantor e humorista.

Estreou no disco em 1955 através do selo pernambucano Mocambo onde gravou a famosa “Pregões do Recife”, embora uma composição sua e de Alcyr Pires Vermelho, o rasqueado “Moça Bonita” já houvesse sido gravada desde 1953 pela gravadora Sinter. E também em 1954 o Trio Nagô gravou a sua mais famosa canção, “Prece ao Vento”, composta em parceria com Alcyr Pires Vermelho e Fernando Luiz da Câmara Cascudo, filho do maior folclorista brasileiro. Aliás, Luiz da Câmara Cascudo tinha grande admiração pelo trabalho de Gilvan Chaves, tanto que por sua mão chegou a fazer parte da Sociedade Brasileira de Folclore. Em 1955, passou a atuar na Rádio Tupi e TV Tupi de São Paulo. Em 1958, gravou o seu LP mais famoso “Encantos do Nordeste” pela Colúmbia, o qual traz na contracapa um texto de Câmara Cascudo falando sobre o seu trabalho.

Em 1960 passou a gravar na RCA. Foi escolhido como o melhor cantor brasileiro de folclore recebendo o prêmio “Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”. Em 1963 parou de gravar. Trabalhou ainda na Rádio Nacional de Brasília como apresentador e produtor de programas. Em toda carreira gravou cerca de seis LPs. Em 1975 voltou a gravar e teve lançado pela Colúmbia um LP que reunia os seus maiores sucessos. No mesmo ano a Rozenblit fez a mesma coisa com as suas músicas gravadas com o selo Mocambo.

Em 1994 teve a música “O Meu País”, parceria com Orlando Tejo e Livardo Alves, gravada por Flávio José no LP “Nordestino Lutador”. Em 2000 a mesma composição foi regravada por Zé Ramalho no CD duplo “Nação Nordestina”.
Faleceu em 12/08/1986 em São Paulo. Satisfazendo a sua vontade, o seu corpo foi cremado e as cinzas foram jogadas no mar de Olinda. Prece ao Vento é uma melodia do consagrado pianista Alcyr Pires Vermelho que recebeu letra de Gilvan Chaves e Fernando Luiz da Câmara Cascudo, filho do renomado folclorista potiguar. Por muito tempo a música Prece ao Vento foi confundida com as canções praieiras de Dorival Caymmi tal a semelhança de estilo. Gilvan Chaves Filho já disse publicamente que o filho de Câmara Cascudo, Fernando Luiz, entrou de paraquedas na parceria. Não posso confirmar isso.

Gilvan Chaves a gravou acompanhado somente do seu violão e de uma leve percussão e depois disso ninguém conseguiu regravá-la tão bem quanto ele. Nem mesmo Elizeth Cardoso e o Quinteto Violado.

2 comments

  1. Que maravilha meu caro Abilio…Apostaria toda a minha fortuna que essa música seria uma composição de Caymmi. Obrigado por ,mesmo tardiamente, me proporcionar a oportunidade de corrigir este equivoco imperdoável…GILVAN CHAVES. Guardarei este nome e cheio de orgulho corrigirei a todos que cometerem o mesmo engano que cometi todos estes anos. Sim, sem dúvida essa interpretação foi a mais bela e emocionante que ouvi até hoje. Abraços!

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