sábado , dezembro 10 2016
Home / Política / Dilma admite dificuldades para montar ministério

Dilma admite dificuldades para montar ministério

A presidente Dilma admite dificuldades para montar ministério para o novo mandato que iniciará em menos de 15 dias.

Brasília (AE) – A presidente Dilma Rousseff fez um desabafo sobre os problemas enfrentados com os aliados para montar o ministério do segundo mandato. Em conversa com a colega da Argentina, Cristina Kirchner, Dilma afirmou que “é muito difícil” nomear ministro no Brasil. O diálogo, de 35 segundos, ocorreu enquanto elas se despediam, após a reunião do Mercosul, e foi gravado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Cristina perguntou a Dilma se os novos ministros seriam anunciados amanhã. “Não, vou tomar posse no dia 1.º de janeiro”, respondeu Dilma, sem entender a pergunta.

Ao perceber que Dilma se confundira, Cristina insistiu: “Não vai anunciar o gabinete amanhã?”. Foi então que a presidente fez o desabafo com a colega. “Não, estou a formá-lo. É muito difícil. Você não sabe como é difícil no Brasil”. As duas sorriram e Cristina desejou sucesso à colega na árdua tarefa. “Boa sorte!”, disse a argentina.

Dilma escolheu o deputado eleito Patrus Ananias (PT-MG) para ocupar o Ministério do Desenvolvimento Agrário, substituindo Miguel Rossetto, que irá para a Secretaria Geral da Presidência.Patrus foi ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome no governo Lula, de 2004 a 2010, e sempre teve bom relacionamento com Dilma.

Em conversas reservadas, dirigentes do PT disseram que Patrus fará um “contraponto” à senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que vai comandar o Ministério da Agricultura. A indicação de Kátia provocou protestos por parte do PT, do próprio PMDB, de movimentos sociais e até de empresários.

No Palácio do Planalto, auxiliares da presidente dizem que Kátia vai representar o agronegócio e Patrus cuidará da questão fundiária. Senadores e deputados do PT têm se queixado nos bastidores dos critérios de escolha usados por Dilma para compor a equipe. A reclamação, endossada por outros aliados, é a de que a presidente não ouve ninguém.

A bancada do PT na Câmara, por exemplo, chegou a apresentar o nome de Pedro Eugênio (PE) para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, porque queria emplacar na vaga um nome do Nordeste. Dilma, porém, preferiu Patrus, ex-prefeito de Belo Horizonte e considerado o “pai” do Bolsa Família, vitrine social do governo.

Atualmente, o PT controla 17 dos 39 ministérios, mas deve iniciar o novo mandato com 14 cadeiras. Já perdeu Fazenda, Planejamento e pode ficar fora do Ministério da Educação, se o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), aceitar o convite para essa vaga. Cid, até agora, tem dito que quer ir para a vice-presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington.

As negociações com o PMDB do vice-presidente Michel Temer, por sua vez, chegaram a um impasse. O PMDB deseja ampliar o seu espaço na Esplanada, mas Dilma resiste à proposta. A conversa entre ela e Temer, para definir o tamanho do PMDB no primeiro escalão, já foi adiada várias vezes e pode ocorrer nesta quinta, 18. O PMDB dirige hoje cinco ministérios.

Via Tribuna do Norte

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Você não tem permissão para usar essa função.