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Geraldo Amâncio faz poema em homenagem a Ariano Suassuna

Homenagem magnífica do poeta, cantador e violeiro cearense, Geraldo Amâncio Pereira ao imortal da ABL, o paraibano Ariano Suassuna, defensor incansável da cultura nordestina, que faleceu em julho deste ano.

Poema intitulado: Ariano Suassuna

Onde a cultura é tribuna
Sua voz foi a mais alta,
Houve o primeiro mas falta
O segundo suassuna.
Parte e deixa uma lacuna
Que não será preenchida.
Sua forma definida
Na maneira de escrever,
Não tinha como dever
Mas como missão de vida.

Com originalidade
A sua missão cumpriu
Foi quem melhor traduziu
Nossa nordestinidade.
Porta voz e autoridade
Dos valores culturais.
Das fontes originais
Um divulgador constante,
Como um cavalheiro andante
Dos tempos medievais.

Cronista do dia a dia,
Um defensor ardoroso
Das estórias de trancoso,
Das crenças, da romaria.
Repórter da cantoria,
Do cordel, do desafio.
Sem ele até desconfio
Que morre a nossa memória,
E o circo da nossa história
Poderá ficar vazio.

Muitas vezes contestado
Ele cansou de dizer
Que a arte não pode ser
Um produto de mercado.
Sempre que era perguntado
Dizia de forma honesta,
Sem rodeio, sem aresta,
Sem sofisma, sem engodo,
Que a arte é no seu todo:
Vocação, missão e festa.

“auto da compadecida”
Sua mais famosa peça,
Termina como começa
Contando os dramas da vida.
Inspirada e extraída
Do mundo cordeliano.
O mestre paraibano
Teatrólogo e ensaista,
Era também cordelista
O genial Ariano.

Nos seus trabalhos defende
Um brasil mais brasileiro,
Contra o modismo estrangeiro
Que a mídia comprada vende.
Brasil onde o inglês pretende
Ser o idioma oficial.
Nos trazendo grande mal,
Fazendo morrer à míngua
O encantamento da língua
Que herdamos de Portugal.

Nas palestras que fazia
Com humor e fundamento
Esbanjou conhecimento,
Semeou sabedoria.
Era quem mais conhecia
O que o Brasil desconhece.
Quando um astro se opaquece
Acaba-se a iluminura.
O céu da nossa cultura
Sem esse astro escurece.

Foi guardião da raiz
Da nossa ancestralidade,
Construiu a identidade
Cultural do meu país.
Da terra agora distante,
Tornou-se então palestrante
Nas cortes celestiais.
Hoje faz parte do time,
Da academia sublime
Dos mestres universais

Autor: Geraldo Amâncio Pereira

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