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Transportes clandestinos atendem 75% da população do RN

Um ano e um mês após contratado, o estudo para reconfiguração da rede de transportes da Região Metropolitana de Natal e do Estado ainda não foi totalmente concluído. Contratado pelo Departamento de Estradas e Rodagens (DER) em junho de 2013 e realizado pela empresa Oficina Engenheiros e Consultores Associados Ltda. ao custo de R$1,1 milhão, o estudo ainda tem 30 dias para ser finalizado, segundo o departamento. 
Entretanto, os relatórios enviados para o DER adiantam alguns caminhos, como a implantação do sistema de bilhetagem eletrônica e modernização no sistema de monitoramento da frota nos transportes da RMN. O levantamento, baseado em cinco grandes pesquisas, traz também um dado alarmante: 75% do transporte utilizado no RN é clandestino.
O processo licitatório para o setor é inédito. O estudo servirá como um norteador para definição das regras e necessidades da rede de transportes no Rio Grande do Norte  e na Região Metropolitana. A Oficina Consultores ficou responsável não só por fornecer um raio-x do sistema – número de veículos, passageiros, quantidade de linhas atuais e necessárias, viabilidade econômica da concessão – como também o edital com as regras para licitação.
A previsão inicial era que o estudo ficasse pronto no segundo semestre de 2013, mas demandas acrescidas pelo DER acabaram por atrasar o processo, segundo a arquiteta Adriana Torquato, consultora responsável pelo levantamento. Ela não define uma data para entrega do documento. “Já entregamos 80% do relatório e estamos finalizando o edital com a proposta final para o sistema”, adianta Adriana, mas salienta: “Há uma diferença entre o estudo e a implantação. Vamos oferecer um projeto para implantação da rede, mas sua aplicação não depende de nós.”
Por telefone, a consultora adiantou alguns detalhes do estudo. “No interior do estado, as pessoas utilizam os resquícios de um sistema de transporte público, mas 75% do transporte é clandestino”, aponta. “Na RMN esse número é mais baixo. Mas no interior foi muito mais difícil porque não existia nenhum número sobre o transporte coletivo nem nenhum controle”, acrescenta.
O sistema atual do transporte na RMN é tão antigo que o próprio diretor de transportes do DER, Iranilson Matos, não lembra o ano em que as permissões tiveram início. Atualmente, sete empresas de ônibus gerem 73 linhas de transporte coletivo na RMN. Os alternativos são maioria, com 101 linhas. Todas funcionam por meio de permissões.
Atualmente, a rede metropolitana é dividida em dois anéis: o primeiro, que utiliza a mesma tarifa de Natal para os municípios conurbados, como Parnamirim. Já o segundo anel é dividido em níveis, com a tarifa calculada pela quilometragem.
Segundo o diretor de transportes, não há uma data para que o estudo de reestruturação da rede de transportes seja aplicado. “Tudo vai depender do que o estudo trouxer e da decisão da diretoria e do Governo do Estado”, afirmou. 
Ainda que o novo sistema não seja aplicado agora, o DER já estuda um reajuste na tarifa dos transportes intermunicipais. O aumento depende do reajuste na tarifa de Natal, uma vez que os municípios do Anel I seguem a mesma tarifa. No ano passado, foi publicado um reajuste de 12,99% para o setor, logo revogado devido às manifestações populares de julho. 
De acordo com a consultora Adriana Torquato, o estudo não traz uma sugestão de reajuste da tarifa atual, mas aponta a necessidade de acréscimos caso o novo sistema seja implantado.
Personagens
Enquanto a revisão não sai, os 163 mil passageiros que transitam diariamente pela Grande Natal tentam contornar o trânsito congestionado, o atraso dos ônibus, a insegurança e o sucateamento dos veículos. Veja alguns depoimentos:
A autônoma Sueli Barbosa da Silva mora no bairro Parque Amarante, em São Gonçalo. Apenas um ônibus circular faz a ligação do bairro com o centro. Ela evita pegar os interbairros. “Essas vans são inseguras. Uma vez minha irmã pegou uma, mas a porta quebrou e saiu voando”, conta. A TN flagrou uma kombi do Loteamento Pe. João Maria com o gás veicular instalado embaixo do banco de passageiros.
Cansada de chegar atrasada ao trabalho por causa do ônibus, a recepcionista Ingrid Furtado resolveu passar a semana em Natal e só no fim de semana voltar para Nísia Floresta. “Eu gastava R$ 10 só para chegar no trabalho. E tem toda a questão de segurança na BR. Preferi passar a semana em Natal”, ressalta.
O professor França d’Lima vai a Natal poucas vezes e avalia positivamente o transporte intermunicipal. Para ele, que mora no bairro Samburá, o problema é o sucateamento das linhas interbairros. “As kombis deveriam ser substituídas até por questão de segurança. Eu não ando e aconselho meus familiares e amigos a não usar”, acrescenta. 
Francisca Valdirene da Silva já aguardava o ônibus de Macaíba para Natal há uma hora, quando foi abordada pela TN. No terminal da cidade, sete ônibus da Trampolim (linhas I, G, M e F) ‘repousavam’. “O maior problema aqui é a demora e a quebra. Uma vez, o ônibus que eu peguei, quebrou duas vezes na mesma viagem”, lembra. Na cidade não há ônibus. A saída é o mototáxi, a R$3.
O maior receio da aposentada Maria da Guia Garcia é ser assaltada na BR-101, no trajeto entre São José de Mipibu e Natal. “Nunca fui assaltada porque Deus me protege. Já tive de ir na van de trás e a da frente ser assaltada”,  conta. Ela paga R$ 1 de Nísia para São José e mais R$ 4,50 para Natal.
Da Tribuna do Norte

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