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Motorista de ônibus que bateu em trem no RN é indiciado por homicídio

Francisco Davi Teixeira, de 14 anos, morreu no acidente ocorrido em julho.
Segundo delegado, maquinistas responderão por omissão de socorro.

Ônibus colidiu com trem, em linha férrea na av. Bernardo Vieira em Natal (Foto: Jorge Talmon/G1)Ônibus colidiu com trem, em linha férrea na av. Bernardo Vieira, em Natal (Foto: Jorge Talmon/G1)

O motorista de ônibus da empresa Reunidas, Erivan Gomes Aureliano, de 50 anos, foi indiciado por homicídio doloso (por assumir o risco de matar) e lesões corporais no caso do acidente que envolveu um trem da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) ocorrido no dia 10 de julho, em Natal. A colisão aconteceu sobre a linha férrea que atravessa a avenida Bernardo Vieira, na zona Oeste da cidade. O estudante Francisco Davi de Almeida Teixeira, de 14 anos, morreu na hora e outras 22 pessoas foram socorridas com ferimentos ao hospital. O G1 teve acesso exclusivo ao inquérito policial concluído na manhã desta segunda-feira (5).

Além do motorista, os maquinistas Nilson de Jesus e o auxiliar Josadac Bernardino de Oliveira também responderão pelas consequências da batida. “Eles foram indiciados por omissão de socorro. Não é pelo fato de o trem não poder levar as vítimas até um hospital, mas por não terem parado para auxiliar na prestação do socorro, que tem que ser direta e imediata. Isso também se configura como omissão”, explicou o delegado Sérgio Leocádio, titular da Delegacia Especializada em Acidentes de Veículos (Deav).

Logo após o acidente, a assessoria de imprensa da CBTU afirmou que o trem seguiu caminho até estação mais próxima. "É um procedimento padrão para garantir a segurança do condutor e dos passageiros, visto que a população tende a ficar revoltada e não entender a situação em um momento como este", afirmou. Em depoimento, Josadac confirmou que “essa é uma recomendação contida na RGO (Regulamento Geral de Operações) da empresa e a qual vem sendo utilizada há 30 anos”. Também em depoimento, Nilson relatou “ser maquinista há 36 anos e não prestou socorro imediato às vítimas porque a orientação que recebe da CBTU é de seguir viagem até a próxima estação, avisar seus superiores do acidente e aguardar a troca da tripulação”.

Já o motorista do ônibus, admitiu que errou ao não ver os carros parados do lado direito da avenida Bernardo Vieira, mas que não ouviu a buzina do trem ou viu o semáforo luminoso. “Abri para a esquerda e ultrapassei um ônibus e aí olhei o semáforo de pedestres e do cruzamento e aí desenvolvi velocidade para passar e segui em frente, quando de repente houve a coincidência, a surpresa de me confrontar com o trem, aí me assustei com o encontro do trem e acelerei abrindo para a direita na tentativa de evitar o acidente (sic)”, disse ao delegado.

“Sobre a CBTU, acentuamos  a abusiva recomendação no tocante a ausência de condutores de locomotivas na efetiva prestação de socorro às vítimas de acidentes. Mais um absurdo, por tratar-se de uma empresa de economia mista permissionária de serviço público indo de encontro a legislação brasileira onde a essência do nosso código brasileiro de trânsito é inegavelmente a preservação da vida”, observou Leocádio.

A Prefeitura de Natal e a CBTU também foram citadas no inquérito como responsáveis pela falta de sinalização e medidas preventivas na passagem de nível onde aconteceu o acidente. “Isso permitirá que as vítimas possam entrar na Justiça com ações contra a Prefeitura e a CBTU”, acrescentou o delegado.

Do G1 RN

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