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Júri de motoboy acusado de matar a cunhada recomeça

Motoboy responde pelo homicídio da universitária Bianca Consoli, em 2011.
Ao todo, 17 testemunhas foram chamadas.

O segundo dia de julgamento do motoboy Sandro Dota, acusado de estuprar e matar a cunhada Bianca Consoli, foi retomado por volta das 10h desta quarta-feira (24) no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital. A universitária Bianca Consoli, então com 19 anos, foi morta por asfixia em setembro de 2011 na casa onde morava, na Zona Leste de São Paulo.

O julgamento de Sandro Dota teve início na terça-feira (23), com o depoimento de três das 17 testemunhas arroladas por defesa e acusação: Marta Maria Ribeiro, mãe de Bianca Consoli; a delegada Gisele Aparecida Capello Lelo, primeira a presidir o inquérito;  e Maurício Vestyik, investigador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHHP).

O júri é presidido pela juíza Fernanda Afonso de Almeida, da 4ª Vara do Júri. A magistrada reservou o local até sábado (27), mas a previsão é que o júri popular dure até três dias. Dezessete testemunhas foram arroladas – sete pela acusação, sete da defesa, duas comuns às partes e três do juízo. Serão chamados parentes da vítima e do réu, além de policiais civis e peritos que investigaram Dota e o apontaram como o assassino de Bianca.

Pela ordem são ouvidas primeiro as testemunhas chamadas pelo Ministério Público e depois as solicitadas pelo defensor do acusado. Após essa etapa, ocorrerá o interrogatório do réu. Em seguida, terá início a fase dos debates entre o promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior e o advogado Ricardo Martins de São José Júnior, com uma hora e meia de fala para cada um. Outro advogado, Cristiano Medina da Rocha, que defende os interesses da família de Bianca, também poderá falar como assistente da acusação. Em caso de réplica e tréplica, será acrescida mais uma hora.

Na sequência dos atos, os jurados se reunem numa sala secreta para votar se o acusado é culpado ou inocente e se deverá ser condenado ou absolvido pelos crimes atribuídos a ele. Após a contagem dos votos, a juíza dará a sentença de condenação ou absolvição. No primeiro caso, caberá a ela estipular a pena.

Nesta terça-feira, o depoimento da mãe de Bianca durou duas horas e 40 minutos. Ela chorou ao lembrar do momento em que encontrou a filha morta. "A primeira imagem que vi foi minha filha jogada no chão com a cabeça virada de lado. Pensei que ela tinha caído. O pescoço estava rígido e a cabeça dura", afirmou. "Saí desesperada e pedi a um vizinho que fizesse massagem cardíaca nela. Quando ele fez a massagem, saiu uma sacola plástica da boca dela", contou.
Bianca foi apontada pela mãe como uma jovem responsável e trabalhadora e que dizia reservadamente que ela não gostava do cunhado. "Ela falava para mim várias vezes que sentia nojo dele", disse em seu depoimento.

A mãe de Bianca afirmou que ouviu de uma amiga de infância da vítima que Sandro a assediava. Essa amiga de Bianca, testemunha protegida, desistiu de depor nesta terça-feira e alegou ter sido ameaçada por telefone por Sandro, que está preso.

Sandro Dota era marido da irmã de Bianca, Daiana Ribeiro Consoli. Daiana o conheceu ao visitar o marido, internado em uma clínica para dependentes de drogas. Ao saber do relacionamento entre Sandro e Daiana, o marido dela se matou.

Mãe de Bianca diz acreditar 100% na polícia (Foto: Roney Domingos/G1)Mãe de Bianca diz acreditar 100% na polícia
(Foto: Roney Domingos/G1)

A segunda testemunha a depor nesta terça-feira foi a delegada Gisele Aparecida Capello Lelo, a primeira a presidir o inquérito. Ela relatou ter ouvido de uma testemunha o relato de que Sandro se insinuava para a cunhada e chegou a dizer para ela a frase "Ai se eu te pego".

Chamada a falar pela defesa do réu, a delegada disse que indiciaria Sandro mesmo sem o exame de DNA, primeiro por causa do comportamento agressivo dele e depois, pelo fato de ser mulherengo.

Também disse que havia motivo para o crime, porque ele tinha interesse em Bianca, que nunca correspondeu ao assédio e tinha medo de que a família descobrisse. Segundo a delegada, diante dos antecedentes criminais de Sandro, preso anteriormente por furto, cogitou-se a hipótese de que o crime fosse patrimonial, o que não se confirmou.

Maurício Vestyik, investigador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHHP), o terceiro a depor, começou a ser ouvido por volta das 20h10. "Os demais suspeitos apresentaram álibis plausíveis, menos o Sandro", declarou o policial civil perante o júri. "Até as 14h14, ela conversava com o Bruno (namorado) por telefone. Ela foi encontrada morta por volta das 19h. Nesse período o Sandro não tinha álibi", completou.

O investigador também lembrou que Sandro foi o único a se recusar a fornecer sangue e a impressão palmar, sob o argumento de não estar disposto a fazer prova contra si mesmo. O suspeito também não deu explicações convincentes para um dos três ferimentos encontrados no corpo. Segundo o investigador, a cena do crime apontava para luta corporal. Foram observados maços de cabelo e móveis fora do lugar.

O depoimento do investigador terminou por volta das 22h15. Em seguida, a juíza Fernanda Afonso de Almeida encerrou o primeiro dia de julgamento.
Julgamento
O julgamento acontece quase dois anos após Bianca ser assassinada na casa onde morava, na Zona Leste de São Paulo. A estudante foi encontrada com um saco na boca e sinais de agressão pelo corpo. Segundo a perícia, ela tentou se defender com as mãos, mas foi imobilizada.

O Ministério Público sustenta que Dota matou Bianca porque ela não quis fazer sexo com ele. O réu, que está preso preventivamente, nega o crime. Dota será julgado por um júri formado por quatro homens e três mulheres.

 

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Do G1 SP

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