terça-feira , dezembro 6 2016
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Quer saber quanto custa uma saudade? Tenha amor, queira bem e viva ausente!

No mote que foi dado aos poetas Zé Limeira e Antonio Barbosa, o vate pernambucano Pedro Torres glosou assim:

Tomar chá de uma raspa de urtiga
Perder tempo tentando se esquecer
Sentir frio sem ter como se aquecer
Pela falta que sente de uma ‘amiga’
E a paixão derradeira e mais antiga
Que não vive conosco no presente
E as lembranças que passam pela mente
São torturas da vil realidade
Quer saber quanto custa uma saudade?
Tenha amor, queira bem e viva ausente!

Uma surra bem dada de cipó
Bem fornido um jucá bem descascado
No espinhaço de um ser abandonado
Que a distância gostou de deixar só
Na garganta, quem pena sente um nó
Que não sai, não desata facilmente
Madrugadas sentindo dor num dente
Que não existe, não é bem de verdade
Quer saber quanto custa uma saudade?
Tenha amor, queira bem e viva ausente!

Um sorriso singelo, uma alegria
Um afago, um carinho de manhã
Com um beijo sabor de hortelã
Numa tarde de plena invernia
Um abraço com toda fantasia
E um calor no olhar muito mais quente
Um naufrágio sem ter sobrevivente
Num oceano com ondas de vontade
Quer saber quanto custa uma saudade?
Tenha amor, queira bem e viva ausente!

Almoçar, mas, sem nem sentir o gosto
Ficar noites inteiras sem dormir
Dessa angústia que dá no refletir
Do espelho de lágrimas do rosto.
Uma mágoa no peito, que o desgosto
Deixa até sem sorriso o penitente
Uma dose de pinga no batente
No oitão de um bar, pela metade
Quer saber quanto custa uma saudade?
Tenha amor, queira bem e viva ausente!

     Pedro Torres

One comment

  1. Muito obrigado pelo destaque na sua prestiosa página poeta.<br /><br />Forte abraço!<br /><br />Pedro Torres

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