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Serviços do Google não devem exigir nomes verdadeiros diz Vint Cerf considerado o pai da internet

 

Vint Cerf: meio em cima do muro na questão dos nomes Foto: Reuters

Vint Cerf: meio em cima do muro na questão dos nomes

SAN FRANCISCO – Diante da crescente onda de ações repressivas lideradas pelo governo dos EUA contra sites de mídia social, o Google não deveria obrigar seus usuários a revelar seus nomes reais em alguns serviços, incluindo sua rede social Google+ , disse Vint Cerf, um alto executivo do Google conhecido como “pai da internet”.

Em entrevista à Reuters, Cerf reconheceu que impulso arrebatador do Google nos últimos 18 meses no sentido de instituir a autenticação pelo nome real do usuários para os serviços Google+ e outros provocou intenso debate dentro de sua sede em Mountain View, na Califórnia. Mas ele argumentou que a atual política de nomes, que permite a alguns usuários escolher pseudônimos, é suficientemente flexível, permitindo aos utilizadores escolher como preferem representar a si mesmos.

Durante o ano passado, a empresa tem incentivado os usuários a fundir suas contas no YouTube, Gmail e outros serviços em uma única identidade Google+.

“O uso de nomes reais é útil”, disse Cerf. “Mas eu não acho que deveria ser imposto às pessoas, e eu não acho que estejamos fazendo isso”.

Os comentários de um dos pensadores de mais alto nível na indústria da internet vêm em um momento em que o debate sobre o futuro do anonimato on-line está agitando os círculos da tecnologia, com profundas implicações sobre o uso da grande rede em todo o mundo.

Tanto Google quanto Facebook estão liderando um movimento para incentivar os usuários da internet a se logar e conduzir suas vidas digitais usando suas identidades reais off-line, argumentando que uma maior transparência melhora as transações e comunicação on-line.

Mas Cerf reconheceu o uso de nomes reais poderia colocar em “apuro fatal” usuários de mídias sociais vivendo sob regimes opressivos, e disse que o Google não impõe sua política em tais casos. Mas em muitos outras situações, a autenticação do usuário deve ser promovida, disse ele.

“Anonimato e pseudonimato são perfeitamente razoáveis em algumas situações”, disse Cerf. “Mas há casos em que numa transação ambas as partes realmente precisam saber com quem se está falando. Então o que eu estou procurando não é que proibamos o anonimato, mas sim que nós ofereçamos uma opção quando necessário, mas que mesmo assim possa autenticar fortemente quem são os envolvidos na transação.”

“No Google, vemos e sentimos os perigos da repressão na internet liderada por um governo”, escreveu ele em um editorial do site “CNN.com” em dezembro.

Cerf, de 69 anos, coinventou na década de 1970 os protocolos que sustentam a internet, quando lecionou na Universidade de Stanford e trabalhou com o Departamento de Defesa dos EUA, na ARPA (Advanced Research Projects Agency). Desde 2005, quando entrou para o Google como “evangelista-chefe da internet”, Cerf tem sido presença constante em conferências internacionais de tecnologia, muitas vezes ostentando seu indefectível terno de três peças e ferozmente defendendo a liberdade na internet.

Cerf pessoalmente usa duas contas Google+, para o trabalho e convívio, mas fez alguns comentários provocativos com relação ao Facebook, que, segundo ele, foi diluído por um excesso de distrações.

“Eu estou no Facebook e achei-o menos do que útil”, disse Cerf, explicando que aceitou cada pedido de amizade que recebeu no site quando ele entrou para o serviço. Mas isso rapidamente o fez atingir o limite máximo de 5.000 amigos.

“Reclamei com (a chefe de operações do Facebook) Sheryl Sandberg, pois considerei ser um insulto pessoal eles terem achado que eu tinha muitos amigos”, disse ele. “Eu acho que eles mudaram este limite para mim”.

O GLOBO/Reuters

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