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Presidente Hugo Chávez morre de câncer e termina uma era na Venezuela

CARACAS, 5 Mar (Reuters) – O presidente venezuelano, Hugo Chávez, morreu nesta terça-feira em Caracas, após uma batalha de quase dois anos contra o câncer, um desfecho que emociona o país e abre as portas para eleições que testarão a sobrevivência de sua revolução.

A morte do líder socialista de 58 anos, que governou o país por 14 anos, aconteceu apenas duas semanas depois de ter voltado a Caracas após uma longa internação em Cuba, onde foi operado quatro vezes.

Chávez teve diagnosticado um tumor na região pélvica em 2011, o que marcou o início de um processo que deixou o país na expectativa.

O anúncio que encerrou uma era na Venezuela coube ao vice-presidente Nicolás Maduro, escolhido por Chávez como seu herdeiro político, pouco depois de uma reunião entre a cúpula política e militar.

"Recebemos a informação mais dura e trágica que podemos transmitir. Às 4h25 da tarde de hoje, 5 de março, morreu o presidente Hugo Chávez Frías", disse Maduro, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, no Hospital Militar de Caracas.

"Os que morrem pela vida, não podem ser chamados de mortos e a partir deste momento proibi chorar por ele", disse Maduro antes de terminar sua declaração.

Após o anúncio, no leste de Caracas, reduto da oposição, foi possível ouvir carros buzinando, que contrastaram com a imagem da praça Bolívar, onde um grupo de pessoas comovidas pela notícia cantava o hino nacional.

O trânsito na normalmente caótica capital entrou em colapso de imediato e havia problemas para se comunicar por telefone.

Maduro fez um chamado à paz e à tranquilidade e disse que a polícia será mobilizada em todo o país, enquanto as Forças Armadas ofereceram seu apoio por meio de um discurso do ministro da Defesa, Diego Molero, que foi transmitido por rádio e televisão.

Chávez morreu poucos meses depois de ter conquistado o quarto mandato consecutivo. O câncer o impediu de assumir seu cargo e estender por quase duas décadas o modelo socialista que instaurou baseado na enorme receita petrolífera local, o que lhe deu uma grande popularidade entre os mais desfavorecidos.

"Não tenho palavras. Eternamente, OBRIGADO! Força! Devemos seguir seu exemplo. Devemos seguir construindo PÁTRIA! Até sempre meu paizinho!", escreveu sua filha María Gabriela em sua conta no Twitter.

TRANSIÇÃO

A Constituição estabelece que novas eleições sejam feitas em 30 dias após a morte ou inabilidade de um governante eleito. Esse pleito seria uma prova inédita de sobrevivência para o movimento criado por Chávez na polarizada atmosfera política do país.

Também será um desafio para o vice-presidente Maduro, que fez um chamado para a união das heterogêneas correntes dominantes, que vão desde militares até a esquerda radical, todos alinhados pela figura de Chávez.

Mas Maduro não mencionou o processo de transição.

A morte de Chávez coloca a nação de 29 milhões de habitantes novamente na encruzilhada, como nas eleições de outubro -entre continuar com sua revolução socialista ou moderar a marcha. Mas desta vez sem o homem forte dos últimos anos.

Antes de viajar a Havana para sua última cirurgia em dezembro, quando desapareceu dos olhos do público quase por completo, Chávez designou Maduro como seu herdeiro político e pediu aos venezuelanos que votassem nele para continuar sua obra.

Maduro, ex-motorista de ônibus e sindicalista de 50 anos, terá a responsabilidade de liderar a transição da heterogênea força chavista e garantir sua sobrevivência. E, provavelmente, deverá enfrentar Henrique Capriles, a figura que luta por manter unidas as diferentes correntes de oposição no país.

Nas eleições de outubro, Capriles, representante de quase 30 partidos de oposição, conseguiu 6,5 milhões de votos, frente aos 8,5 milhões de Chávez.

Capriles expressou solidariedade à família de Chávez e pediu unidade. "Num momento tão difícil, precisamos mostrar nosso profundo amor e respeito por nossa Venezuela", publicou Capriles em seu Twitter. "Minha solidariedade a toda a família e aos seguidores do presidente Hugo Chávez. Fazemos um apelo por unidade entre venezuelanos neste momento".

Adorado por seus seguidores num culto quase religioso, Chávez foi insultado pelos críticos que o viam como um chefe de Estado autocrático, arbitrário e propenso a fazer um culto de sua personalidade.

Do R7

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