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O batente da casa dos meus pais – Wellington Vicente

O BATENTE DA CASA DOS MEUS PAIS.

Aos meus pais Zé Vicente da Paraíba (in memoriam) e Enedina Maurício.

Depois de alguns janeiros
Longe da casa paterna
Numa condução moderna
Fui visitar os terreiros
Onde os meus passos primeiros
Imprimiram as digitais,
Mas os antigos sinais
Só estavam em minha mente.
Quando cruzei o batente
Da casinha dos meus pais.

Aquela casinha estreita
Quase no final da rua
Recebe o clarão da lua
Assim que o sol se deita.
Uma árvore se deleita
Por dar dormida aos pardais,
Vi os antigos portais
Bem ali na minha frente
Emoldurando o batente
Da casinha dos meus pais.

Avistei logo a viola
Pendurada na parede,
Junto ao armador de rede
Um retrato da escola.
No corredor a gaiola
Que já prendeu sabiás,
Hoje a temida “Alcatraz”
Não prende nenhum vivente,
O seu pó cai no batente
Da casinha dos meus pais.

Mãe ainda tem guardada
A foto do meu batismo,
Meu primeiro catecismo
Sobre uma mesa forrada,
Onde mamãe ajoelhada
Faz as preces matinais,
Pelas orações que faz
Deus deve ficar contente
Pois abençoa o batente
Da casinha dos meus pais. 

Meu chapéu de couro escuro
Em um canto pendurado
Como letra do passado
Numa página do futuro.
Vi bem no meio do muro
As minhas iniciais
E em antigos postais
Inda revi Zé Vicente,
Depois sentei no batente
Da casinha dos meus pais. 

Autor: Wellington Vicente.
Porto Velho, 10 de julho de 20009.

Como sempre o poeta pernambucano Wellington Vicente é incrível ao relatar nesses maravilhosos versos o que é pisar no batente da casa dos pais depois de um tempo distante da terrinha que o viu nascer e crescer. Somente quem arredou os pés de casa e ganhou o oco do mundo sabe a grandeza do versos desse poeta, filho de Zé Vicente da Paraíba, primeiro cantador de viola a gravar um LP no Brasil e acredito que no mundo. Wellington oferece aos seus pais Zé Vicente da Paraíba (in memoriam) e Enedina Maurício.

Depois de alguns janeiros
Longe da casa paterna
Numa condução moderna
Fui visitar os terreiros
Onde os meus passos primeiros
Imprimiram as digitais,
Mas os antigos sinais
Só estavam em minha mente.
Quando cruzei o batente
Da casinha dos meus pais.

Aquela casinha estreita
Quase no final da rua
Recebe o clarão da lua
Assim que o sol se deita.
Uma árvore se deleita
Por dar dormida aos pardais,
Vi os antigos portais
Bem ali na minha frente
Emoldurando o batente
Da casinha dos meus pais.

Avistei logo a viola
Pendurada na parede,
Junto ao armador de rede
Um retrato da escola.
No corredor a gaiola
Que já prendeu sabiás,
Hoje a temida “Alcatraz”
Não prende nenhum vivente,
O seu pó cai no batente
Da casinha dos meus pais.

Mãe ainda tem guardada
A foto do meu batismo,
Meu primeiro catecismo
Sobre uma mesa forrada,
Onde mamãe ajoelhada
Faz as preces matinais,
Pelas orações que faz
Deus deve ficar contente
Pois abençoa o batente
Da casinha dos meus pais.

Meu chapéu de couro escuro
Em um canto pendurado
Como letra do passado
Numa página do futuro.
Vi bem no meio do muro
As minhas iniciais
E em antigos postais
Inda revi Zé Vicente,
Depois sentei no batente
Da casinha dos meus pais.

Autor: Wellington Vicente.
Porto Velho, 10 de julho de 20009.

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