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Para cardeal dom Odilo Pedro Scherer, seria ‘pretensão’ dizer estar preparado para ser Papa

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O arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, disse na tarde desta quarta-feira (13) que ficou “surpreso” com a renúncia do Papa Bento XVI, anunciada na segunda-feira (11). Quando questionado se poderia ser o escolhido para a sucessão, ele desconversou. “Seria muita pretensão de um cardeal dizer que está preparado”, disse.
Dom Odilo participou nesta quarta do lançamento da Campanha da Fraternidade de 2013, na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, que traz a juventude como tema. O cardeal citou a idade avançada e o estado de saúde do Papa dizendo que, por isso, compreende a decisão do pontífice. Apesar disso, não escondeu a surpresa com a renúncia.
“Foi uma reação de surpresa, de compreensão e admiração. Porque foi um gesto extremamente corajoso, humilde e desapegado. Eu acho que o Papa Bento XVI deu mostras de uma grande fé e o que deve ser a atitude de quem segue a Igreja. Do modo que não se apega ao cargo e que o bem da Igreja esteja diante de tudo”, afirmou.
Dom Odilo tinha acabado de chegar a Roma quando soube da notícia. Ele ouviu sobre a renúncia pelo rádio. Ele afirmou que não tinha conhecimento da realização de um encontro de cardeais, evento escolhido pelo Papa para anunciar que deixaria o pontificado no próximo dia 28 de fevereiro.
Questionado sobre a necessidade de a Igreja ter um papa latinoamericano ou africano, ele disse que isso não é essencial. “O fato da origem geográfica do Papa não é uma questão essencial, mas se ele está em condições de assumir o cargo”, afirmou.
Ele negou que Bento XVI estivesse “isolado”. “Esse isolamento que vaticanistas falam não sei sobre qual ótica, mas o Papa tinha todos os contatos que precisava. Não é verdade que ficou isolado. Ele continua a fazer suas nomeações.”
Renúncia histórica
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse nesta terça-feira que o Papa Bento XVI está usando um marcapasso cardíaco “há algum tempo”, mas que seu estado de saúde é bom e que ele estava “lúcido e sereno” quando tomou a histórica decisão de encerrar precocemente seu pontificado.
Bento XVI anunciou a renúncia pessoalmente, falando em latim, durante um encontro de cardeais no Vaticano, na segunda-feira. O conclave de cardeais deve escolher o novo Papa até a Páscoa, prevê o Vaticano.
O padre Lombardi disse que as baterias do marcapasso foram trocadas há três meses, em uma intervenção pequena, mas que isso não influiu na decisão da renúncia papal.
“Isso não influiu na decisão, as razões estavam na sua percepção de que sua força tinha diminuído com a idade avançada”, disse. A informação sobre o marcapasso papal, que não era de conhecimento público, havia sido adiantada pelo jornal italiano “Il Sole 24 Ore”, que afirmou que o papa usava o artefato havia dez anos.
Lombardi também confirmou informação dada na véspera, de que Bento XVI vai manter a agenda de trabalho até dia 28, quando vai renunciar. Isso inclui uma audiência com o presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, no próximo sábado (16).
A última audiência pública do papa, no dia 27, será na Praça de São Pedro, no Vaticano, para permitir que os fiéis possam assisti-la e se despedir do Papa.
O porta-voz também reafirmou que Bento XVI não vai interferir na escolha de seu sucessor, deixando os cardeais livres para decidirem. Federico disse que, após a renúncia, Bento XVI não terá nenhum papel na chefia da Igreja Católica.
Do G1

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