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Poema Matuto: São Paulo do meu Brasí(Homenagem aos 459 anos de São Paulo)

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(Poema Matuto composto no Terminal da Barra Funda quando visitei a capital bandeirante pela primeira vez)

São Paulo do meu Brasí,
Cuma tu sois importante!
Capitá dos banderante
Qui conquistáro os sertão.
Serêa qui im vez do canto
Sopra uns apito zangado
Qui dêxa disabitado
Os campo do meu Torrão!

Quantos jovem conterrano
Cum as suas força virí
Ajudáro a costruí
O teu gigante cenáro?
As mão qui a sêca expursou
Viéro buscá o pão,
Trabaiá nas construção
Por um miúdo saláro.

Muntos ganháro dinhêro,
Casáro, já tem famía,
Tem boa casa, mubía,
Hoje têm fama e cartaz.
Já ôtos só fracassáro
Sem tê a bença da sorte
Choram lembrano do “Norte”
Sem pudê vortá pra trás.

Num quem conte os vaquêro
Disfarçado de seivente,
Os cantadô de repente,
Os imboladô bem puiento.
Estão tudim atrepado
Nos andaíme, nas escada
E a puesia atolada
Nos traçado de cimento!

Istranhei dimais teu povo.
Eita! Povo carrancudo!
Passano im riba de tudo
Sem tempo pra cunversá
Num aperrêi da mulesta,
Se disviano da gente.
Munto, munto deferente
Do povo do meu lugá.

Essas tuas estação
Eu já tenho é comparado
Cum furmiguêro assanhado
De saúba impaciente,
O teu trem é um curisco
Escramuçano na terra,
Varano os bucho das serra
Levano e trazeno gente!

Tuas enorme favela
De morada da pobreza,
Já viráro as fortaleza
Dos traficante maivado
Qui vende um pó bem branquim
E uns mato munto fedido
Móde tirá os sintido
Dos jovem disavisado.

Teus poeta serestêro
Qui canta im tua garôa,
Dize inté qui já foi bôa
Tuas água de bebê,
Mas o pogresso egoísta
(O pai da poluição)
Vive a cuspí podridão
No leito do Tietê.

Tuas muié são bonita
Mas seu côipo isbranquiçado
Nunca viu os rái dorado
Do só da minha Terrinha.
O côipo pode sê belo,
Compreto de foimosura
Mas num pissui a quintura
Da custela de Pretinha!

Tua curtura é foimada
Do cordé dos nordestino,
Do chimarrão dos sulino,
Das comida dos nortista,
Do samba dos carioca,
Do requejão dos minêro,
Qui no vê dos istrangêro
Tudo é curtura paulista.

Dêxo a tua dinherama
E a tua agitação
E vorto para o sertão
Dos verso de Zé da Luz!
Vô contá prus conterrano
Cuma sois discomuná:
A maió das capitá
Da Terra de Santa Cruz!

Autor: Wellington Vicente
São Paulo-SP, 22/04/2002.

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