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França mantém decisão de legalizar casamento gay apesar de protestos

Quase meio milhão de pessoas protestaram contra o casamento gay no último final de semana Foto: AP

Ministros francesas sinalizaram nesta segunda-feira que a manifestação do fim de semana contra a legalização do casamento gay e das adoções por casais formados por pessoas do mesmo sexo não abalou a determinação do governo francês de aprovar em breve essas medidas. A porta-voz governamental Najat Vallaud-Belkacem, que também é ministra para assuntos femininos, disse à rádio Europe 1 que nada mudou e que a intenção do governo continua sendo a de submeter o projeto ao Parlamento neste mês e sancioná-lo até junho.

"O governo está totalmente determinado a promover essa reforma, esse progresso histórico que não é a vitória de um campo sobre outro, e sim um progresso para toda a sociedade", afirmou Najat Vallaud-Belkacem. "Levamos a manifestação em conta, mas isso será discutido pelo Parlamento, e não na rua."

Num dos maiores protestos das últimas décadas no país, quase meio milhão de pessoas fizeram uma passeata em Paris no domingo exigindo que o presidente François Hollande retire o projeto de lei e promova um debate nacional sobre qualquer mudança na definição de casamento. Muitos manifestantes disseram a jornalistas que decidiram sair às ruas em um dia tão frio porque não se conformam com o fato de o governo não realizar um debate amplo antes de promover reforma, especialmente a respeito dos direitos de adoção para os homossexuais, rejeitados por uma estreita maioria da opinião pública.

O ministro do Interior, Manuel Valls, disse ao jornal Le Monde que "sempre pensamos que o comparecimento seria forte, e foi … o que é mais uma razão para estarmos focados no objetivo de aprovar a lei".

Jerome Fourquet, especialista em pesquisas do instituto Ipsos, disse que, embora a manifestação tenha sido um sucesso para a oposição, Hollande não poderá se dar ao luxo de recuar, especialmente depois de se mostrar inesperadamente resoluto, no mesmo fim de semana em que ordenou que as Forças Armadas francesas combatessem militantes islâmicos no Mali. "Por outro lado, (o protesto) pode sinalizar novos problemas para o governo com a futura lei que lidar com a reprodução assistida", afirmou Fourquet.

Deputados socialistas pretendiam fazer uma emenda à atual lei do casamento de modo a incluir o acesso a técnicas de reprodução assistidas para lésbicas, mas desistiram quando notaram que isso causaria mais polêmica e poderia prejudicar a aprovação do casamento homossexual. O governo agora planeja incorporar a questão a um projeto de lei da família que será aprovado em março pelo gabinete.

Tugdual Derville, um dos líderes do protesto de domingo, disse que a oposição poderá novamente organizar um protesto quando o novo projeto for definido. O protesto foi organizado principalmente por católicos, mas contou com apoio também de alguns muçulmanos, evangélicos e até de homossexuais contrários ao casamento gay, segundo organizadores.

Do Terra

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