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Primeira biografia de Luiz Gonzaga é relançada pela Cia Editora de Pernambuco

O sanfoneiro do riacho da Brígida – vida e andanças de Luiz Gonzaga – O Rei do Baião, do paraibano (de Conceição), Sinval Sá foi relançado pela Cia Editora de Pernambuco – CEPE. O autor, hoje com 90 anos, participa de noite de autógrafos, no mesmo dia em que se comemora o centenário do biografado. Uma noite que terá também o lançamento de um selo alusivo à efeméride, e culmina com um show de Elba Ramalho, com a Orquestra Sinfônica do Recife, interpretando, naturalmente, um repertório de clássicos de Luiz Gonzaga. O livro chega à nona edição, como um dos dois melhores trabalhos do gênero (o outro é Vida de viajante – a saga de Luiz Gonzaga, pela Editora 34). O livro de Sinval Sá é também a primeira biografia de Gonzagão. Há quem considere o potiguar Zé Praxédi, conhecido como O Poeta Vaqueiro, publicou, em 1952, Luiz Gonzaga e outras poesias, biografia em versos, mas que não vai além da curiosidade bibliográfica.
Sinval Sá, que há anos mora em Brasília (aposentado do Tribunal de Conta da União), conta que a vontade de escrever sobre Luiz Gonzaga surgiu quando ele estava de visita a Taubaté (SP): “Foi em 1953, era carnaval, e na cidade não havia nada. Aquela. De repente comecei a ouvir aquele vozeirão: ‘Já faz três anos que pro Norte relampeia…’. A ideia ficou comigo, contei aquilo para o pessoal em casa. Um belo dia, eu morava em Fortaleza, minha mulher me disse que Luiz Gonzaga estava na cidade. Descobri o hotel, e liguei para ele. Luiz Gonzaga concordou em me receber”. O paraibano explicou ao Rei do Baião qual seu objetivo. A anuência do cantor veio com um comentário: “Você me parece honesto. É o primeiro que não me pede dinheiro para escrever um livro sobre mim”.
Este contato inicial aconteceu em 1960. Em março de 1961, Sinval Sá reencontrou Luiz Gonzaga em sua casa, na Ilha do Governador: “Daí em diante foram várias entrevistas. Não tinha estas facilidades de gravador não. Era no caderno mesmo. Gastei mais de dez cadernos com as anotações que fiz do que ele me contava. Bem antes desta biografia eu já escrevia ficção. Ganhei até prêmios, então escrevi o primeiro capítulo do livro sobre Luiz Gonzaga meio romanceado, e mandei para ele”, continua Sinval Sá. Ele lembra que dias depois quis saber o que o biografado tinha achado: “Ele me disse que não gostou. Que o que estava ali não era o que ele havia me contado. Então passei a escrever sem enfeitar, na primeira pessoa. O livro só ficou pronto no começo de 1966, mas eu não sabia como seria publicado. Um dia eu estava no trabalho, na reitoria da Universidade do Ceará, corrigia os originais. Um colega viu, perguntou de que se tratava. Quando disse, ele me sugeriu que levasse para um padre, que editava um jornal chamado A Fortaleza. O padre pediu para ler o texto, dizendo que se gostasse publicaria”.
O padre não apenas publicou O sanfoneiro do riacho da Brígida, como armou uma festa para o lançamento, que aconteceu no Centro de Fortaleza, na Praça do Ferreira: “Teve inclusive um show de Luiz Gonzaga. Juntou uma multidão na praça, mas a festa foi mal organizada, porque só foram vendidos 60 exemplares”,conta Sinval Sá. No entanto, a tiragem inicial de 3 mil livro logo se esgotou. Na época Luiz Gonzaga estava em baixa no Sudeste. Em 1966, a Jovem Guarda estava no auge. Luiz Gonzaga e os forrozeiros que surgiram depois dele forma alijados para horários menos nobre das emissoras de rádio e TV: “Ele levava os livros na camionete, e saía vendendo nos shows que fazia pelo Nordeste. Muitas vezes era a mulher dlee, Dona Helena, que ficava vendendo. Logo foi preciso outra tiragem, mais outra. Sei que foram vendidos dez mil livros, por esta editora de Fortaleza”. O sanfoneiro do riacho da Brígida vendeu todas as edições publicadas, que nunca foram de muitos exemplares. Portanto saia logo de catálogo. O autor diz que este ano uma editora de São Paulo se interessou em lança-lo, mas Sinval Sá, que é filho de pernambucanos, deu preferência à CEPE: “em nenhuma edição mexi no texto original. A última que saiu foi em 2002, em Brasília.
O escritor confessa que depois do texto pronto em comum acordo com Luiz Gonzaga preferiu não deixar assuntos que poderiam mexer com a família do artista. Entre estes assuntos, está a paternidade de Gonzaguinha: “Prefiro não falar sobre isto”, esquiva-se Sinval Sá, acrescentando que assistiu ao filme Gonzaga de pai pra filho (de Breno Silveira), e que não gostou, embora tenha notado em alguns trechos que o roteirista leu seu livro: “É bom como filme, mas não é de jeito nenhum a vida de Gonzaga. Tem muito mais de Gonzaguinha. Lembro dele, em casa, na Ilha do Governador, calado tocando violão. Fui amigo de Luiz Gonzaga até o fim da vida dele. Sempre que ia à Brasília me visitava

Fonte: jconline.ne10.uol.com.b

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