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Ex-ministro, senador e prefeitos estão entre vítimas de crimes investigados pela Operação Durkheim

São Paulo – Um ex-ministro, um senador, dois prefeitos e dois desembargadores, um delegado de Polícia Civil, uma filial de emissora de TV e um banco estão entre as vítimas das organizações criminosas investigadas pela Polícia Federal (PF) na Operação Durkheim. Os nomes das vítimas e dos investigados não foram divulgados pela PF porque o inquérito está sob segredo de Justiça. Todas as vítimas deverão prestar depoimento à polícia nas próximas semanas.

A operação investiga duas organizações criminosas. Uma delas, composta por vendedores de informações sigilosas e pessoas que tinham acesso a dados sigilosos, tais como funcionários de empresas de telefonia, bancos e servidores públicos. A outra tinha como finalidade remeter dinheiro ao exterior por meio de atividades de câmbio sem autorização do Banco Central. 

Segundo Roberto Troncon, superintendente da PF em São Paulo, foram cumpridos hoje (26) 33 mandados de prisão temporária e 87 mandados de busca e apreensão em seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Distrito Federal, Pernambuco e Pará.

“Um grupo era especializado na espionagem ilegal da vida privada e usava reiteradamente a violação de sigilos fiscal, telefônico, bancário e até mesmo consulta de banco de dados criminais protegidos. O segundo grupo era especializado em remessas ilegais de valores ao exterior, os chamados doleiros, que atuavam por meio de [operações] de dólar cabo ou euro cabo”, explicou Troncon.

Na operação, dez policiais foram investigados: três deles eram federais, sendo um aposentado. Também foi identificado o envolvimento de cinco policiais civis e dois policiais militares. “Há suspeita de que esses grupos devassaram, ilegalmente, o sigilo bancário, fiscal e telefônico de milhares de vítimas. Comprovadamente, 180 vítimas foram alvo desses grupos”, disse Troncon.

Segundo o delegado Julio Cesar Baida Filho, foram pedidos os bloqueios de 20 contas no Brasil em nome de pessoas jurídicas de fachada., além da solicitação da quebra do sigilo dessas contas.

Somente hoje, continuou o delegado, R$ 600 mil e 27 carros de luxo foram apreendidos. “Essas transações causavam estranheza porque não eram pequenas quantias que eram remetidas para o exterior. Eram quantias muito altas, de mais de R$ 1 milhão por semana”, disse Baida Filho.

De acordo com ele, 73 pessoas foram indiciadas até o momento. O delegado informou que a organização pode ter movimentado entre R$ 4 milhões a R$ 5 milhões por mês. Não há recursos públicos. “Esse número ainda está sendo buscado, mas é um número milionário que passa de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões em 2012”, disse Baida Filho.

O vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, prestou depoimento na manhã de hoje (26) na sede da Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo. Del Nero é um dos investigados na Operação Durkheim, que foi desencadeada hoje (26).

Os delegados não confirmaram o envolvimento de Del Nero na operação, limitando-se a dizer que “não diz respeito a futebol”. Também não foi confirmada a informação que o advogado criminalista tenha sido indiciado. “Se ele foi indiciado ou não, essa informação está sob sigilo”, disse o delegado Valdemar Latance Neto.

Por meio de nota publicada no site da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo De Nero disse ter sido surpreendido pela operação policial em casa, nesta madrugada, em busca de documentos “não relacionados à sua atividade na entidade e de seu escritório de advocacia”. Segundo a nota, Del Nero confirma ter prestado depoimento e diz ter sido liberado logo em seguida. “O teor do depoimento segue em sigilo de justiça”, diz.

O delegado Latance Neto estima um universo com cerca de 10 mil vítimas. Até o momento, a polícia confirma 180 vítimas. “O que se mostrou foi a grande banalização do direito à privacidade em várias facetas como sigilo de fonte à imprensa, sigilo bancário, sigilo telefônico incluindo interceptação telefônica clandestina, sigilo fiscal e sigilo de dados”, disse ele.

Segundo ele, os intermediadores, que se apresentavam no mercado como detetives particulares, conseguiam, dos fornecedores, um cadastro de telefone móvel das vítimas por cerca de R$ 30 reais.

“O modus operandi funciona com um comprador, interessado num dado sigiloso, que podia ser pessoas comuns ou grandes empresários, e um grande escritório de advocacia. Esses compradores procuravam os intermediadores, os detetives particulares, que tinham contato dentro das operadoras de bancos ou órgãos públicos, e, a preços módicos, eles conseguem comprar esses dados sigilosos e repassar para o comprador”, explicou Latance Neto.

Entre os suspeitos estão dez pessoas ligadas a operadoras de telefonia, um gerente de banco, três policiais civis, um policial militar e um servidor público. 

O inquérito teve início em setembro de 2011, após o suicídio de um policial federal em Campinas (SP), em dezembro de 2010. A operação recebeu o nome Durkheim em referência ao intelectual francês Émile Durkheim, que escreveu o livro O Suicídio. “Esse policial cometeu suicídio, mas antes de fazê-lo, divulgou uma série de dados relevantes sobre envolvimento de outros policiais em atos de corrupção e violação ilegal de informações sigilosas”, disse Troncon.

Os investigados serão indiciados por divulgação de segredo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, violação de sigilo bancário, interceptação telefônica clandestina e formação de quadrilha.

Da Agência Brasil

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