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A valorização do Morro da Providência, a favela mais antiga do Rio do Janeiro

Depois da ocupação da polícia em 2010 e as obras de melhorias o preço dos imóveis subiu assustadoramente.

A nova fronteira da valorização imobiliária no Rio de Janeiro está longe das praias e do luxo da Lagoa, Leblon ou da Barra. É entre o centro da cidade e o porto, regiões em franco processo de revitalização, que uma nova aposta está sendo desenhada: o morro da Providência, no centro do Rio. Considerada pelos historiadores uma das primeiras favelas do País, a comunidade recebe investimentos de R$ 131 milhões em urbanização.
ProvidênciaCom os recursos, veio também o aumento dos preços, que fez o aluguel de imóveis antigos, pontos comerciais e sobrados irregulares subir até 120% nos últimos dois anos.
Os primeiros sinais da escalada são sentidos pelos comerciantes, que têm seus contratos renovados pelo dobro do valor cobrado até hoje. A aposta é o aumento do fluxo de turistas, que cresce desde a ocupação do morro pela polícia, em 2010. O fluxo de visitantes deve ser ainda maior a partir de janeiro, com a conclusão das obras do teleférico que ligará o morro, a Central do Brasil e a Cidade do Samba, onde ficam os barracões das escolas.
O comerciante Gelsonias Almeida Macedo, de 49 anos, informou que o proprietário do imóvel que ele ocupa avisou que teria uma surpresa com o aumento do aluguel. Do seu bar, ele observa as obras do teleférico na praça Américo Brum, orçado em R$ 75 milhões.
— Com os turistas, vamos conseguir reverter o prejuízo que as obras causam agora.
A Providência terá ainda um plano inclinado para facilitar a subida ao topo, onde há mirantes e construções históricas. Também estão previstas obras de urbanização, construção de praças de lazer e moradias populares e alargamento de ruas.

Equação da valorização

Os imóveis residenciais também sentem a pressão dos preços. Os quartos nas construções mais simples, antes alugados por R$ 300 ao mês, hoje são negociados por R$ 700. As casas com melhores estrutura e localização estão sendo avaliadas em R$ 60 mil, quando há um ano sairiam por R$ 15 mil, segundo os proprietários.
A boa localização, o fim da violência e a melhoria da infraestrutura explicam a alta dos preços, de acordo com o pesquisador do Secovi Rio (Sindicato de Habitação do Rio) Maurício Eiras.
— É um processo que ainda está começando. A Providência tem muitas casas antigas, é perto do centro, tem transporte fácil.
Os moradores mais antigos resistem à valorização imobiliária, como aponta a moradora Vera Lúcia Ferreira Nascimento, de 44 anos.
— A gente nunca teve água encanada, esgoto, nada. Agora que tem, vem um empresário, compra tudo e transforma em hotel.
O temor está no anúncio de investimentos privados na região. No alto do morro, já há o projeto de um albergue que ficará ao lado de construções históricas do século 19. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Fonte: R7

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