sábado , dezembro 3 2016
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Rio Apodi-Mossoró representa um dos maiores problemas ambientais da atualidade

Com aproximadamente 975 km² de extensão, passando por 52 municípios, o rio Apodi-Mossoró é o maior do Estado. No entanto, a segunda maior bacia hidrográfica do RN representa também um dos maiores problemas ambientais da atualidade.
Há mais de 20 anos, o rio vem sofrendo com a degradação ambiental. Desde a nascente, no município de Luís Gomes, até a sua desembocadura, entre os municípios de Areia Branca e Grossos, o rio apresenta um quadro marcado por altos índices de poluição em praticamente todos os trechos urbanos.

Rio Apodi-Mossoró representa um dos maiores problemas ambientais da atualidade

“Alguns municípios apresentam índices mais intensos de poluição como Pau dos Ferros, Apodi, Mossoró e Areia Branca”, descreve o professor-doutor Ramiro Camacho, membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio.
O professor exemplifica que em alguns pontos do rio, como o município de Governador Dix-sept Rosado, a poluição não atingiu índices tão alarmantes. Segundo ele, a referida cidade é uma referência para a bacia hidrográfica, pois por conta da entrada de fontes naturais de águas limpas em seu leito, como a do Poço Feio, essas águas limpas depositam no rio poluído, minimizando o problema.
“A área do rio em Governador Dix-sept Rosado é uma das mais protegidas. Na cidade, o rio é fonte de lazer e de pesca para os ribeirinhos. O que não acontece em Mossoró, principalmente nos trechos da Barragem do Centro ao bairro Paredões. As gerações mais antigas sentem saudade do tempo em que o rio fazia parte de encontros da família, lazer, tomar um banho. Hoje as águas estão contaminadas e malcheirosas. Infelizmente, é essa a realidade de hoje”, relata o professor.
Conforme o gerente executivo de Gestão Ambiental, Mairton França, o maior problema enfrentado pelo rio Mossoró atualmente diz respeito ao despejo irregular de esgoto proveniente das residências.
“Por meio dos Núcleos de Educação Ambiental (NEAs) temos buscado esclarecer a população sobre a importância de evitar o despejo irregular de esgotos. A Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM), junto com os órgãos competentes, tem buscado identificar de onde vêm os esgotos, mas é um trabalho difícil, até mesmo para autuar os cidadãos”, informa o gerente.
Outro problema encontrado no rio é o despejo de lixo. “Sempre quando fazemos um trabalho de limpeza retiramos garrafas pet, pneus e plástico”, informa. Segundo ele, muitas vezes esse material é descartado pela própria população, por isso é importante despertar nos cidadãos a consciência ambiental.
De acordo com Ramiro Camacho, durante a execução do Projeto Rio Apodi-Mossoró, realizado pela Fundação Guimarães Duque, em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), foram feitas 14 mil análises, e o monitoramento do rio em 26 pontos. “Fizemos os relatórios com as informações sobre a qualidade da água, segmentos e solo, e repassamos aos 52 municípios para trabalhar com os dados, e desenvolver projetos para sanear, organizar e revitalizar o manancial. Mas nem todos utilizaram essas informações”, diz.
Ele destaca que a situação é crítica de fósforo, nitrogênio e nitrato no rio. “Com o problema ambiental das secas periódicas, a poluição do rio ficou ainda maior”, destaca Camacho. O professor enfatiza que foram detectados nas águas metais pesados que podem causar câncer, mas não se sabe se os metais estão nos peixes ou nas plantas.
O professor Ramiro Camacho observa que mesmo poluído o rio faz parte do cotidiano de muitas pessoas carentes, que ainda se alimentam dos seus peixes e utilizam as águas para atividades rotineiras. Daí a importância de revitalizá-lo.
Aguapés denunciam elevados índices de poluição
Por causa dos elevados índices de poluição, as águas do rio Mossoró deram lugar a um verdadeiro “tapete verde” de aguapés. Em condição sadia, a planta aquática auxilia a conter a poluição, mas da maneira como se encontra a condição se torna mais um problema ecológico.
“Da forma como está, os aguapés causam um problema ecológico chamado eutrofização. A planta suga o oxigênio e os nutrientes do rio. Assim, esse “tapete verde” compromete animais e plantas que vivem embaixo dele.
O gerente do Meio Ambiente, Mairton França, destaca que o rio Mossoró oferece as condições necessárias para a proliferação dos aguapés: elevados índices de poluição, altas temperaturas e água parada. Mas, devido a falta de chuvas, as plantas aquáticas também estão morrendo por falta de água. “A vazão está baixa devido a escassez de chuva. O rio só não está seco por conta das águas da barragem de Santa Cruz”, enfatiza.
Meses atrás, a Prefeitura fazia a retirada das plantas aquáticas com um barco catamarã. No entanto, o contrato com a empresa que executava o trabalho foi rescindido em julho. “A empresa não estava cumprindo alguns pontos do contrato”, justifica Mairton França.
Mesmo com os serviços paralisados, o barco catamarã continua ancorado na Barragem do Centro. “Nós já notificamos a empresa para que retirasse o barco”, diz o gerente. Ele destaca que caso a empresa não retire o catamarã nos próximos dias, ela poderá ser multada.

Fonte : O Mossoroense

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