sexta-feira , dezembro 9 2016
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Quando um pingo de chuva molha o chão enche d’água o olhar do sertanejo.

Vejo um pé de umbuzeiro amarelado
um sinal que esse ano a chuva é pouca
ouço um “papa-lagartas” de voz rouca
com seu canto, agourar o chão molhado
o rebanho sem água ameaçado
esperado um trovão dar seu gracejo
a cacimba abastece o lugarejo
escavada na foz do ribeirão
quando um pingo de chuva molha o chão
enche d’água o olhar do sertanejo.

o saber das antigas gerações
procuravam sinais de trovoada
doze pedras de sal enfileiradas
no natal eram forte as emoções
São José padroeiro dos sertões
risca o céu faz surgir um relampejo
o roncar do trovão, parece um beijo
faz brotar nesse solo amor e pão
Quando um pingo de chuva molha o chão
enche d’água o olhar do sertanejo.

Vendo a chuva o matuto se anima
se esquece dos traumas da estiagem
lindo verde que brota das folhagens
mostra a nossa batalha contra o clima
só nos resta ter fé no lá de cima
esperar uma nuvem dar despejo
os suaves respingos num gotejo
e o caboclo transborda de emoção
quando um pingo de chuva molha o chão
enche d’água o olhar do sertanejo.

No roçado a lavoura enverdecida
enche a vista do nobre camponês
a mulher tira o leite de uma rês
um guri leva o gado pra bebida
a formiga de asa faz subida
uma abelha da flor tira o sobejo
a cigarra assopra um realejo
como quem faz da vida uma canção
quando um pingo de chuva molha o chão
enche d’água o olhar do sertanejo.

O açude sangrando atrás de casa
uma cabra parindo num chiqueiro
um cachorro latindo num terreiro
hoje o sol já não queima como brasa
asa branca risonha bate asas
outra coisa da vida, eu não almejo
contemplando a beleza do que vejo
ergo os braços ao céu, faço oração
quando um pingo de chuva molha o chão
enche d’água o olhar do sertanejo.

Henrique Brandão

Fonte: Blog Josarabelo.blogspot.com

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