quinta-feira , dezembro 8 2016
Home / Poemas e poesias / Poesia popular: A riqueza da expressão oral

Poesia popular: A riqueza da expressão oral

Trovas Soltas

Nunca Vi carrapateira
botar cacho na raiz
nunca vi mulher solteira
ter palavra no que diz

encontrando um pé de turco
faça tudo agoi o pé
pé de turco é bom remédio
a semente dá café

fedegoso, mandiroba
sinapismo? muçambê
farinha de maniçoba
incha o papo até morrer

o socó e o socó-boi
pescador e o carão
só em seca muito velha 
se arritiram do sertão

a saudade que els levam
é de tal informação
que els sobem além das nuvens
pra não olhar mais pro chão

carneiro novo é borrego
ovelha nova é marrã
manjericão é bom cheiro
mas meizinha é hortelã

o sofreu da bananeira
vai voando, vai cantando
quando acha afruta boa
tá calado, tá escutando

caboclo no pé no chão
com essa terra tão quente
ô xente, gente, ô gente
eu sou daqui do sertão

o teu cigarro de palha
acende torna apagar
esse fumo é maravilha
trazida do Ceará

homem que dorme em jirau
é pobre de fazer dó
melhor é oco de pau
e foge dele mocó

punaré nasceu de rabo
pra poder se conhecer
se preá tivesse rabo
punaré devia ser

eu venho do dá e toma
e vou para o toma e dá
a palavra a boca venha
se eu der tomo da cá!

OS CARIRIS DO NORDESTE: BATISTA SIQUEIRA
PÁGINAS 176,177 E 178

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Você não tem permissão para usar essa função.