quarta-feira , dezembro 7 2016
Home / Cultura / Educação: Mossoroense de 28 anos é uma das mais jovens estudantes a concluir doutorado no país

Educação: Mossoroense de 28 anos é uma das mais jovens estudantes a concluir doutorado no país

A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) tem uma das mais jovens doutoras do Brasil em seu quadro docente. Trata-se de Carolina Malala Martins, que aos 28 anos já concluiu curso de doutoramento. A jovem iniciou sua jornada acadêmica aos 17 anos, no curso de Agronomia da Ufersa. Sobre sua graduação, Carolina explica que a Instituição ajudou muito em sua escolha de seguir a carreira acadêmica.
carolina_malala_professora“A Ufersa dá muita oportunidade para pesquisa, por exemplo, o incentivo da Bolsa de Iniciação Científica, então isso facilitou minha escolha. No início tive dificuldades em optar por uma linha de pesquisa, já que o meu curso tem disciplinas muito variadas como Sociologia, Química, Física, Biologia e Cálculo”, explica Carolina que concluiu o curso em cinco anos.


Durante a graduação, ela escolheu a linha de pesquisa em que atua até hoje. “Escolhi a área de solos, somente um professor trabalhava com a temática que era Maurício Oliveira. Hoje eu ocupo a cadeira que ele lecionava”, diz. Com a opção pela Ciência dos Solos, ela estudou a produção de hortaliças em seu trabalho de conclusão do curso.

A jovem doutora concluiu a graduação no final de 2006 e já no início de 2007 iniciou o seu mestrado. “Fiz somente a seleção para a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), passei e deixei Mossoró para dar continuidade aos meus estudos”, conta Carolina. Em sua dissertação de mestrado ela trabalhou com as áreas de desertificação do Nordeste.
Carolina Malala terminou o curso de mestrado no final de 2008 e iniciou o doutorado já em 2009, na Universidade Federal de Viçosa (UFV). “Participei de três seleções para o doutorado. Além da UFV, tentei na própria UFRPE e na Unicamp. Passei em todas, mas optei pela instituição de Minas Gerais. Para a escolha pesou o fato de ela ser uma das melhores universidade na área de ciências agrárias”, explica a doutora.
Com a mudança de Estado, a escolha do tema da tese de doutorado foi um desafio para Carolina. “Sempre trabalhei com temas que se aproximam da região Nordeste. O mais próximo que tínhamos do nosso solo era o do norte de Minas Gerais. Por esse motivo escolhi a temática de solos de matas secas para estudar”, afirma.

Em maio de 2010, quando estava no segundo ano do doutorado, Carolina obteve aprovação no Concurso de Provas e Títulos para professor da Ufersa. “Lembro bem que eram 35 candidatos para uma vaga. Mas graças a Deus, deu tudo certo e fui aprovada. Minha nomeação saiu em agosto e eu voltei para Mossoró, depois de um acordo para trabalhar durante o período letivo e voltar para Minas Gerais durante as férias para dar andamento à minha tese”, esclarece.
Segundo a professora, esse foi o período mais difícil. “Todo mundo pensa que professor somente ensina, mas nós temos atividades de laboratório, pesquisa, produção acadêmica, entre outras coisas. Então eu tinha que conciliar a vida de professora e de estudante, o que não foi fácil. Não escondo que eu tinha medo de não conseguir concluir minha tese”, comenta Carolina.
“Um ponto que eu destaco foi a defesa da minha tese. Durou das 8h às 13h30, mas no final deu tudo certo e eu obtive a aprovação”, conta a professora. A tese de Carolina Malala foi apresentada no dia 21 de agosto e ela deverá receber o diploma de conclusão em até três meses.
Sobre o maior desafio que enfrentou, ela não pensa duas vezes. “Ficar longe da minha família. Eles sempre me ajudaram, mas não é fácil. Vida de estudante de pós-graduação não é fácil. Existe uma bolsa concedida aos pesquisadores, mas que não é suficiente para moradia, alimentação, livros. Então acabava dependendo da família”, desabafa.

Sobre a situação da pós-graduação no país, ela não ameniza as críticas. “Com certeza falta incentivo. O estudante é exorcizado com prazos e cobranças. Acabamos não podendo trabalhar porque precisamos nos dedicar exclusivamente aos programas de pós-graduação, mas os valores das bolsas não são suficientes. O governo precisa incentivar mais os estudantes”, critica Carolina.
“Além disso, as pessoas não têm conhecimento do que é uma pós-graduação, não reconhecem o trabalho que temos com as pesquisas. Sempre me perguntavam por que eu não trabalhava e não entediam isso”, completa. Como professora, a jovem já percebeu que os estudantes não são incentivados a cursar pós-graduação. “Os alunos estão estudando menos, perdem muito tempo com internet e se esquecem de ler livros”, comenta.
Com a conclusão de sua tese, Carolina já tem planos para o futuro. “Agora eu pretendo publicar minha tese em periódicos internacionais e me dedicar mais à Universidade. Vou começar a ensinar no Programa de Pós-Graduação da Ufersa e quero fazer um pós-doutorado também fora do país, provavelmente Estados Unidos”, explica Carolina. 
Fonte:omossoroense

Image and video hosting by TinyPicImage and video hosting by TinyPic

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Você não tem permissão para usar essa função.