sábado , dezembro 3 2016
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Turista europeu “mão fechada” desaponta baianas no Pelourinho

As baianas que recepcionam os turistas europeus tirando fotos no Centro Histórico não estão gostando nada dos visitantes desta temporada: eles são considerados “mão fechada”. Até oferecerem uns trocados dá um trabalho e tanto.
“Eles não gostam de dar gorjeta e nem de fazer compras. Não vejo a hora de chegar a alta temporada para voltar a ganhar dinheiro”, ressaltou Ana Cristina, 45 anos, que há 32 trabalha no local tirando fotos com turistas.
O sorriso e a simpatia são as principais armas das baianas, facilmente identificável pelo traje composto por torço, bata, pano de costa, saia rodada, anáguas e adereços. No entanto, elas têm cortado um dobrado para faturar uma grana na baixa estação, no Pelourinho. Com inglês improvisado e portunhol, elas são amadas e odiadas por baianos e turistas.
O que tem desanimado mesmo as baianas são os turistas que atualmente frequentam o local. Muitas se dizem insatisfeitas com o trabalho por não estarem conseguindo faturar neste período.
“No mês de junho e julho cheguei a ganhar R$1.200 em cada mês. Os turistas europeus não gostam de tirar foto nem de dar gorjeta. Eles só querem passear. Até na alimentação eles economizam. O mês já está no final e não foi possível conseguir R$ 300”, ressaltou uma baiana que preferiu não se identificar.
Enquanto alguns turistas consideram indispensável uma foto com as baianas para o álbum de recordação, outros se dizem incomodados com o assédio e não concordam em pagar para tirar uma fotografia.
“Achava que as baianas atuavam no Pelourinho recepcionando os turistas. Em menos de uma hora de passeio, já fomos abordados por duas. Isso nos incomoda”, ressaltou Daniel Naldez, turista do Rio de Janeiro acompanhado de amigos.
“Muitos turistas tiram fotos e não dão nem o tchau. Tá difícil faturar uma grana neste mês. Por conta dos pedintes, muitos evitam tirar foto com as baianas. Não vejo a hora de chegar outubro para voltar a ganhar dinheiro”, pontuou Iara dos Santos, 26.

Alguns turistas, no entanto, não fogem da tradição. “Não tem como visitar o Pelô e não tirar uma foto com uma baiana. Foi a primeira coisa que fiz quando cheguei aqui. Acho justo agradá-las, por conta de toda produção que elas usam para encantar os turistas”, ressaltou Cibele Ferraro, 59 anos, turista do Rio de Janeiro.

*Matéria de Leidiane Brandão, publicada na versão impressa da Tribuna da Bahia.

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