quinta-feira , dezembro 8 2016
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Tereza Potó

Patativa do Assaré

Quem já nasceu azarado
veve de mal a pió
o seu mamoêro é macho
não cai preá no quixó,
mesmo ele andando no prano
cai dentro do brocotó
e ninguém tira a mandiga
ninguém tira o catimbó,
nem reza de feiticêro
lá das matas de Codó
de tudo que tô dizendo
dou a prova, veja só.

Num dia de sexta fêra
eu vi Tereza Potó
com seu vistido de chita
infeitado de filó,
os beiço bem tinturado
e o rosto branco de pó,
doidinha por namorado
chorando de fazê dó
já se achava impaciente
afobada e zuruó,
as cinco e meia da tarde
se incontrou cum Siridó,

Siridó era tão feio,
tão feio como ele só
o cabelo era assanhado
parecia um sanharó
um braço todo injambrado
todo cheio de nopró
os zóio da cor de brasa
e um lubim no gogó
mas Tereza se agradou
e cumeçou o xodó,
preguntou: você me qué?
e ele respondeu ó, ó
eu quero você todinha
da cabeça ao mocotó,

e dali sairo os dois
para dançá num forró
que havia naquela noite
na casa de Zé Tingó
na latada de palmêra
da terra subia pó
Tereza Potó ja tava
moiadinha de suó
mais assim mesmo dizia:
num tem coisa mais mió

depois compraro passage
no carro de Zé Jacó
e sairo do Iguatú
pra ir casá no Icó
porém lá naqueles meio
perto do açude do Oró
o carro fartou o freio
e desceu num cafundó
por riba de pau e pedra
no maior torototó
morreu logo o motorista
chamado José Jacó
morreu Tereza Potó
e morreu o Siridó
o namoro deles dois
se acabô tudo no ó.
Ispinho e fulô p.171-173

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