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O Espelho cruel da minha sorte Refletindo a beleza do passado

Bem pequena, muito amada por meus pais
Não sabia o que era sofrimento
Encantada no meu próprio encantamento
Muito longe, bem distante dos meus ais
Sem saber que futuros carrascais
Chegariam, num ocaso inesperado
Num impasse se faria inaugurado
Sem aviso sem mostrar o passaporte
Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado

Feito jovem, pele linda, tez nevada
Como a pura porcelana, a eleita!
Sublimar, belo lírio que enfeita
Todo campo, branca mesa entoalhada
De repente, mais que de repente em nada
Tudo, tudo, isso vejo transformado
Todo traço de beleza, ocultado
Minhas linhas, minhas curvas, são deporte
Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado

Meus cabelos que pendiam belamente
Ralearam, não mais chegam à cintura
Meus catorze anos, de alma pura
Do pecado carnal, eu era ausente
Mas o dia D da dor se fez presente
Apossou-se, fez morada do meu lado
A alegria para sempre fez traslado
Lá bem longe foi morar, não sei seu norte
Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado

Ao passar na vitrine, me espanto
Custo crer na figura projetada
Um espectro assustado sai do nada
Arrebata meu momento, desencanto
A tristeza se apodera, cai o pranto
Cubro o rosto pra não ver meu próprio estado
Lembro todos que roubaram meu primado
Olho em volta, a saída é só a morte
Vejo o espelho cruel da minha sorte
Refletindo a beleza do passado.

(Mote de Severina Branca)
Glosas de Aluisio Lopes – S. J. do Egito, 28 de Nov. de 20011

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