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Há muito tempo nâo chove

O reverendo Brás Ivan brinda os admiradores da poesia popular descrevendo o quadro impiedoso da seca nos sertões nordestino. A sua verve poética desmonta a tese que há muito tempo é usada por aqueles que levam vantagem sobre o fenômeno da seca.


Há muito tempo nâo chove

Irmã seca injustiçada
Venho te pedir perdão,
Pelos golpes e insultos
E as culpas que te dão.
Dizem que és inclemente
Causticante,e renitente,
Isenta de piedade.
Doadora de subejos,
Madrasta dos sertanejos,
E mâe da calamidade.

És da fome promotora
Da sede fonte perene,
A maior acionista
Da indústria da Sudene.
Do desespero és a farra,
Inspiração da cigarra,
Patrocínio da discórdia.
Tu és causa de gemido.
Pra sertanejo ferido:
Tiro de misericórdia.

Mas na verdade irmã seca,
Tu não tens culpa de nada.
És bode espiatório,
De uma política safada.
Que diz que só faz o bem,
Roubando de quem não tem,
Depois usando teu nome.
Cria leis só para alguns,
Leis que enriquecem uns,
E matam muitos de fome.

Não irmã, tu não tens culpa
És um fator natural,
No meu nordeste tem seca
Mas é seca de moral.
Temos uma seca crítica
Mas é seca de política
Que almeje o bem comum.
E não nos dê duras penas
Mate de fome centenas
Para saciar só um.

Desculpe irmã seca insultos,
Acusas e maldições.
Protestos que tu recebes
Dos cariris aos sertões.
O desespero e a mágoa
Nâo são por falta de água
E pão que a todos comove.
É por que gente que sonha
E politico de vergonha
Há muito tempo nâo chove.”

Brás Ivan Costa Santos

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